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Como fazer a sua parte para erradicar a violência do mundo

Sri Prem Baba

15/06/2018 04h00

Crédito: iStock

Desde que criei o movimento Awaken Love, tenho falado sobre a urgência de nos comprometermos em manifestar alguns valores humanos, como a honestidade, a autorresponsabilidade, a gentileza, entre outros. Quando falo em gentileza, falo de não-violência, de não machucar nada e nem ninguém, nem mesmo em pensamento. Se esvaziar, inclusive, da necessidade de machucar a si próprio.

Não-violência é a tradução para o o conceito indiano de ahimsa, que por sua vez, é o denominador comum dos diferentes tipos e sistemas de yoga que existem. Independentemente disso, trago esse tema hoje porque percebo quão fácil é falar sobre não-violência e o quão difícil é colocá-la em prática. Porém, acredito que, na medida em que vamos cuidando da violência que praticamos contra nós mesmos, vamos também deixando de manifestá-la fora, contra os outros, criando espaço para erradicá-la do mundo.

A violência contra si mesmo, que é outra maneira de compreender o auto ódio ou autopunição, manifesta-se de diferentes maneiras. Considero que uma delas, comum à maioria das pessoas, é uma autoexigência: um perfeccionismo que faz com que você fique tentando encontrar algo errado em si mesmo e se criticando sempre que possível.

É importante identificar quem em você é tão duro, tão rígido e que não admite falhas ou erros. Chamo essa instância da personalidade de "eu idealizado". Ela surge quando, em algum momento da sua vida, você compreende que se deixar de ser espontâneo e agir de determinado jeito terá suas necessidades atendidas e receberá amor. Com o tempo, isso se torna um condicionamento que faz com você passe a vida toda tentando ser uma coisa que não é, com medo de ser quem é de verdade e deixar de ser amado. Você passa a vida toda tentando agradar os outros e se culpando quando não consegue, quando "falha".

A autoexigência e a autocrítica são aspectos do orgulho. Como você foi impedido de ser quem era, uma cisão ocorreu aí dentro. Isso tem um preço muito alto porque nasceu de um choque de humilhação: para curar isso é necessário ir atrás das vergonhas que carrega. Todos nós carregamos partes que não pudemos chegar a um acordo. A vergonha está a serviço de proteger-nos dessa dor de humilhação e ela só é integrada quando podemos acolher toda essa miséria.

Se a dor foi muito grande e você precisou desenvolver uma grande vergonha para proteger-se, então não será fácil furar esse círculo. Por exemplo, se você tem vergonha de um sentimento de pobreza, de feiura, de inadequação, de uma parte do seu corpo, dos seus familiares é porque tem dor ali. Para ir além, você precisará entrar em contato com isso até aceitar o que aconteceu. Até poder relaxar e rir de verdade da sua história.

Sendo assim, podemos concluir que a violência está relacionada a uma não aceitação de uma parte de si mesmo. Essas dores e vergonhas que você carrega e prefere esconder são as causas dessas constantes autocríticas, autoexigências e perfeccionismos. Por não aceitar quem é, você segue se maltratando sem conseguir ficar em paz. Você segue preso no círculo negativo perpetuador de sofrimento e violência.

Lembre-se que o verdadeiro sentido de ahimsa é não ferir absolutamente nada. Não ferir a si mesmo e, consequentemente, não ferir ao outro. E desenvolver essa virtude da alma é absolutamente fundamental para a realização espiritual.

Sobre o autor

Nascido em São Paulo, Sri Prem Baba estudou psicologia e ioga. É discípulo do mestre indiano Sri Sachcha Baba Maharaji Ji, da linhagem Sachcha, e idealizador do movimento global Awaken Love. Seu trabalho une conhecimentos para fortalecer valores humanos, espirituais e sociais. Hoje, existem centros representativos de sua missão na Índia, Estados Unidos, Europa, Israel, Argentina e Brasil. É autor dos livros “Amar e Ser Livre - As Bases Para uma Nova Sociedade”, “Transformando o Sofrimento em Alegria” e do best-seller “Propósito – A Coragem de Ser Quem Somos”.

Sobre o Blog

Ensinamentos para o bem-viver com foco em autoconhecimento e desenvolvimento pessoal. Conteúdos profundos abordados de forma prática sobre relacionamentos, propósito de vida, prosperidade, sustentabilidade, educação, crise planetária e espiritualidade, entre outros.

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